Lençol gigante (série Derivas do corpo-cor amorfo)
2021

Intervenção urbana performática, Caxias do Sul/RS

Dimensões variáveis

Fotografia e registros: Ingrid Bellenzier

Edição: Rodrigo Onzi

Fonte: Acervo pessoal da artista (2021)

Intervenção urbana performática,  Caxias do Sul/RS

Dimensões variáveis

Fotografia e registros: Nicole Martinato

Edição: Rodrigo Onzi

Fonte: Acervo pessoal da artista (2021)

Um lençol gigante ou um corpo vermelho abraçando a cidade?

Em Lençol gigante o plano da verticalidade da cidade faz com que fique em evidência tudo aquilo que se coloca no mesmo sentido. O próprio movimento da matéria-cor, escorrendo pela borda da passarela até tocar o chão verde vibrante, é a aparição de uma transversalidade no plano cartesiano, naquilo que é cartografado dentro de uma métrica limitante. A matéria vermelha coloca-se verticalmente em paralelo ao olhar e à postura do espectador, no entanto, forçando a assimilação de outra escala e dimensão. lnterferindo diretamente na percepção visual pela intensidade com a qual se presentifica enquanto vibração e cor naquele cenário, o corpo-cor amorfo – saindo de um amontoado e subindo do chão da passarela, deslizando por cima do corpo até se suspender – atua como uma espécie de extensão da própria postura corporal vertical que vai, aos poucos, lançando-se de forma ainda mais orgânica, como se se desconfigurasse em uma projeção um tanto quanto alargada do corpo. Escorrendo como uma cascata gigante até tocar o solo, cria uma brincadeira com os direcionamentos e posições vertical x horizontal. O vento também vai preenchendo esse corpo-cor amorfo que se contorce e distorce, criando espasmos de cheio e vazio – como se inflasse a matéria. Uma ideia de pulsação, de coisa que se preenche e esvazia a partir de um sopro; um corpo vivo. Ao desprender o lençol gigante, a gravidade atua sobre ele, criando dobraduras que se assemelham a ondas de vibração, de reverberação que se constroem e se repetem do início ao fim do tecido, até que ele se desmanche e caia em um desmaio teatral.