A que horas você passou aqui? (série Derivas do corpo-cor amorfo)
2021

Intervenção urbana,  Porto Alegre/RS

Dimensões variáveis

Fotografia e registros: Marina Rombaldi.

Fonte: Acervo pessoal da artista (2021)

Como ser praticante do espaço urbano?

A partir desse questionamento surgiu A que horas você passou aqui?. Como um intento de romper com a produção excessiva de imagens, com os distanciamentos e com os tempos velozes e, assim, frear os excessos, atentar ao instante, ao deslocamento e, é claro, à espera. Através do stencil, propõe-se uma acupuntura urbana que dialoga com uma maneira de pertencimento provisório e com a prática dos espaços em relação ao tempo do deslocamento – presente e, tão logo, que já é passado –, trazendo a atenção do indivíduo que circula pela cidade para a sua configuração corpo-espaço-temporal. Apontando a possibilidade de ação que é inerente ao espaço urbano coletivo, a frase é inserida estrategicamente em alguns lugares de passagem rápida e cruzamentos, fazendo com que o indivíduo, sendo ativado pela pergunta, necessite realizar uma pausa e questionar-se a respeito de onde está e quando está. Estabelecer um espaço-outro, criando uma relação de empenho em estar presente no espaço cotidiano. A frase inserida em meio às estruturas urbanas pressupõe uma passagem e uma demarcação, sendo adotada como prática disparadora da percepção do cidadão no espaço da cidade em um determinado instante, criando relações de coexistência entre o seu corpo (móvel) e aquele ambiente (fixo) – contrafluxosO indivíduo, se tocado pelo questionamento, pode ter seu imaginário ativado através do contato com o plano real, tendo os procedimentos de questionar-se e perceber-se vinculados à manutenção da propulsão do imaginário poético urbano. Dessa forma, a partir da intervenção urbana disparadora, esses lugares presentes na cidade passam a se configurar como espaços transformados a partir da própria experiência subjetiva coletiva.