Corpo-cor encarnado
2020

050.jpg

Ação performativa, Porto Alegre/RS

Dimensões variáveis

Fotografia: Desirée Ferreira

Edição: Rodrigo Onzi

Figurino: Mariá Lorenzi

Fonte: Acervo pessoal da artista (2020)

O presente trabalho integra o projeto intitulado Vermelejar: inserções poéticas de um corpo-cor na cidade, realizado como pesquisa de mestrado em Poéticas Visuais no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob orientação da Profa. Dra. Cláudia Vicari Zanatta. Esta pesquisa foi desenvolvida com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001. 

Corpo-cor encarnado (2020) é um projeto composto por um conjunto de ações performativas parcialmente projetadas para espaços previamente mapeados na cidade de Porto Alegre no ano de 2020 e que surge como resposta ao desejo de habitar e ocupar, com a matéria do corpo, alguns espaços da cidade de maneira não programada e não organizada, tendo estudos sobre a cor e a forma como disparadores da performance. 

Essas ações buscam estabelecer uma relação mais viva com o espaço urbano, torcendo e ampliando a noção da corporeidade. Privilegiando alguns aspectos da cidade em detrimento de outros, o corpo da artista, ativado pela cor, perpassa por diferentes locais e desenvolve novas diretrizes de deslocamento e ordens de habitação, realizando uma reavaliação da noção do espaço por meio da identificação cromática e possibilitando uma visão de Porto Alegre a partir do vermelho.

O dispositivo corpo-cor se debruça, desdobra, flexiona, espreme e se determina à novas estruturas do urbano, assumindo uma forma objetificada e mole-estruturada. Levando em consideração as formas, vazios, cheios, curvas, ângulos e volumes do espaço urbano e do mobiliário, que reforçam a composição rígida e acinzentada da urbe, esse corpo orgânico e maleável vai constituindo seus estados e suas formas no próprio deslocar-se e mover-se pelo urbano, estabelecendo uma relação quase que mimética com a cidade. 

O dispositivo performático e ativo intitulado corpo-cor é fruto de instabilidades e construções e assume estados impermanentes, passando de um modo de ser e estar a outro, sendo ativado pela sinergia da cor e pela forma do espaço. Habitando estruturas já existentes no espaço urbano contemporâneo, tensiona e reordena as ideias de solidez, flexibilidade, ocupação e temporalidade da cidade, servindo, também, como orientação para a disfunção do cotidiano.